Keane no The Times: “Somos embaraçosamente classe média”
O jornal britânico The Times publicou uma matéria sobre o Keane. Eles falam sobre Strangeland, origens e de como é viver a vida sem excessos. Confira:
Grã-Bretanha Tem Maneiras
Keane, a banda que prefere sucesso ao excesso
“Somos embaraçosamente classe média
Keane pode não gostar de sua imagem confortável mas eles insistem que a música vem antes do mito de estrela do rock. Enquanto os vendedores de milhões lançam o último [álbum], Stephen Dalton encontra um quarteto que não cometem excessos
Em uma noite chuvosa em Zurique e em um pequeno palco no educadamente boêmio club Plaza, o Keane está tocando um show discreto para lançar o último álbum deles. E as exportações multi-platina mas modestas do rock britânico estão fazendo o que fazem de melhor: hinos piano-rock de apertar o coração encharcados de melodia que surgem do céu em correntes quentes de elevação emocional. Os meninos estão de volta. Suíça, tranque suas filhas.
O novo álbum do Keane, Strangeland, é o som de quatro homens ingleses de trinta anos fazendo um balanço, olhando para trás melancolicamente e olhando esperançosos para frente. Mesmo em forma despojada, as novas faixas que o cantor com voz de corista Tom Chaplin canta alto já soam como o tipo de hinos de estourar o coração para sonhadores de pequenas cidades que Bruce Springsteen poderia ter escrito se tivesse crescido em Eastbourne ao invés de Nova Jersey. Em outras palavras, fantásticas.
Strangeland foi gravado em sessões demoradas no Sea Fog, o estúdio que o tecladista e compositor chefe do Keane Tim Rice-Oxley instalou recentemente em sua nova casa na rural East Sussex. Foi produzido por Dan Grech, cuja lista estrelar de créditos inclui Lana Del Rey, Vaccines e Radiohead. “Senti que já era hora de fazermos um ótimo álbum,” diz Rice-Oxley, apenas meio brincando. “Sinto que este é o primeiro álbum ótimo que fizemos… ou é o mais próximo.”
Nos quatro anos desde do último álbum completo, Perfect Symmetry, o Keane recebeu um novo membro em tempo integral na forma de Jesse Quin, anteriormente o baixista de turnê deles. Quin e Rice-Oxley também fizeram parceria no projeto paralelo deles Mt. Desolation e, coincidentemente, os dois foram pais de meninas. Além disso, todos na banda estão casados. “Mas todos nós temos a mesma amante,” Quin diz sem expressão, “e o nome dela é música.”
A ser lançado no mês que vem, Strangeland é quase certo de se tornar o quinto álbum seguido a ir ao topo das paradas. Com mais de dez milhões de álbuns vendidos até hoje, eles continuam sendo uma das bandas da Grã-Bretanha de maior sucesso da década passada, e uma de um mero punhado a arrebentar na América. Pelo caminho eles atraíram alguns fãs famosos e improváveis, evocando simpatia de novelistas e diretores de filmes. William Boyd e Bret Easton Eliis são devotos. Assim como Irvine Welsh, que dirigiu um clipe antigo para eles.
O diretor espanhol Juan Antonio Bayona, que vez o filme de horror cult O Orfanato, de 2007, é outro fã do Keane. O clipe que ele filmou para Disconnected, um dos singles de Strangeland, é um épico de casa mal assombrada designada com arte para se parecer com um filme de terror Italiano.
“É só essa atmosfera incrível de filme de terror em seis minutos,” o baterista Richard Hughes diz. “Somos os primeiros a levantar as mãos e admitir que fizemos alguns clipes chocantemente horríveis, mas esse é o melhor que já fizemos de longe. Eles fizeram uma obra de arte total.”
O Keane é impecavelmente bem educado em pessoa, com toda a cortesia anacrônica de exploradores polares Eduardianos. Fora do palco, Chaplin é um golfista entusiástico e trabalha com caridade na Ruanda. Hughes faz campanha contra a pena de morte para a Anistia Internacional e até visitou Troy Davis no corredor da morte antes de sua execução controversa no ano passado. Tudo perfeitamente admirável, mas dificilmente material de mito de estrela do rock. Muitos de nós preferimos que nossos roqueiros sejam necessitados, narcisistas, casos perdidos.
“Não sei quando a música cruzou a linha onde você tinha que ser desagradável e rude e bêbado e drogado ao mesmo tempo para ser ótimo,” Chaplin protesta. “Música não é isso, música tem mais a ver com a alma, como estar reunido em volta de uma fogueira cantando junto. Tem alguma coisa mais visceral e real nisso do que toda aquela bobagem.”
Rice-Oxley é igualmente cínico no que se refere aos mitos do excesso alimentados pela mídia. “Você aprende rapidamente que há muito pouco glamour nessa coisa toda,” ele diz. “Me irrita quando as pessoas insistem nisso. Algumas das melhores vezes em que nos divertimos foi quando estávamos bebendo cerveja e fazendo música em nosso bar local, mas não é o mesmo de perder completamente o controle e acabar morrendo em uma banheira, como Whitney Houston. Não há nada de bom nisso, por que todos querem que isso aconteça repetidamente? É horrível e trágico e solitário. Eu não quero que isso aconteça a nenhum de nós.”
Dadas notícias tão eminentemente sensíveis, a breve temporada de Chaplin na clínica de reabilitação em 2006 veio de surpresa. O cantor só bebe água depois do show de Zurique, e é notadamente o único membro da banda a não se juntar aos membros da equipe e dependentes para beber cerveja e vinho mais tarde. Tendo desistido de bebida e drogas, ele agora está tentando largar o cigarro. Então o que aconteceu seis anos atrás? Ele mesmo caiu no mito da estrela do rock?
“Não, isso começou muito tempo antes da banda,” Chaplin explica. “Ainda saio e tenho ajuda e falo com pessoas sobre isso, sei que essa coisa volta por um longo caminho, de volta à minha infância. Não tinha a ver com ser sucedido. E eu me sinto verdadeiramente muito mais feliz sem aquela coisa. Você não precisa disso para se sentir bem, você consegue aquela excitação em outro lugar.”
Quando o Keane estourou na metade da década passada, a soberba cano duplo deles vou muitas vezes usada pelos críticos como um adesivo. Em 2004 eles eram um alvo fácil e uma novidade relativa, mas desde então as paradas de sucesso foram inundadas por exércitos de companheiros pop start de escola pública, de Florence Welch a Frank Turner a Mumford & Sons. Alguns deles fazem o Keane parecer positivamente na base por comparação. Eu pergunto à banda a lhes darem uma nota num escala de dez pontos de soberba, de Victoria Beckham a Kate Middleton.
“A Kate Middleton é tão metida assim?” Chaplin responde, com soberba impecável.
“Eu mudaria a escala para entre Victoria Beckham e Tom Chaplin,” Quin acrescenta.
“Estamos provavelmente no meio,” diz Rice-Oxley. “Somos quase embaraçosamente classe média, sério. É a falta de qualidade distintivas que nos irritam. Provavelmente seria mais fácil se fôssemos insanamente metidos e fôssemos caçar o tempo todo.”
“É um pedaço de lama tão fácil de afundar,” Hughes diz. “Meus pais trabalharam incrivelmente duro, estou na primeira geração da família a ter acesso à faculdade. Não venho de um palácio, não tenho fundo fideicomisso nem nada disso.
“Isso me irrita porque destrói o esforço que minha família fez para me dar o melhor começo que podiam na vida. Estou incrivelmente grato a eles por isso. Mumfords, Florence… quem se importa com o pano de fundo deles? Eu gosto da música deles.”
Chaplin argumenta que o Keane sempre foi contra a natureza desde o começo: se rebelando na escola, depois desafiando as expectativas da família para perseguir uma carreira na música. Eles não, ele insiste, nasceram com a chave de Downton Abbey na boca. Contudo, para dissidentes, eles sempre serão os descendentes quadrados da Nova Gentileza, como o Coldplay sem o magnetismo sexual esfarrapado. Até mesmo críticos positivos descrevem a música dele em termos de desculpa, como um tipo de “guilty pleasure” [algo do qual gostamos, mas temos vergonha de assumir].
“Sou a favor de tirar a frase ‘guilty pleasure’ da língua nacional,” Chaplin diz. “Ou você não gosta de uma coisa ou não gosta. Se é uma ‘guilty pleasure’, o que significa? O que isso diz de você como pessoa? Isso não pode mais ser aplicado na música… só à bestialidade.”
Ultimamente, Chaplin sugere, o Keane conquistou sucesso duradouro em parte porque eles nunca pertenceram a uma cena rock moderna. Talvez, no longo prazo, ser os Homens do Não legal serviu muito bem a eles.
“Tudo que eu diria é que é um jogo perigoso de jogar,” o cantor diz. “Fazer sua parte, ser você mesmo, é o único jeito verdadeiro de fazer música.”
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